O uso de medicamentos que inibem as enzimas CDK4/6 e CDK2 prolonga a fase G1 do ciclo celular e ajuda a retardar o crescimento do câncer de mama resistente a medicamentos.

Domínio público
Mesmo com os avanços da medicina, a resistência aos tratamentos ainda é um dos maiores desafios no combate ao câncer de mama. Dados internacionais mostram que a doença é uma das principais causas de morte por câncer entre mulheres e que cerca de 30% das pacientes com câncer de mama metastático desenvolvem resistência ao tratamento em até dois anos.
Um estudo publicado em dezembro de 2025 na revista científica eLife indica que manter o uso de medicamentos já utilizados no tratamento, mesmo após o surgimento da resistência, pode ajudar a retardar o crescimento dos tumores. A pesquisa analisou o efeito de drogas que inibem as enzimas CDK4/6 e CDK2, responsáveis por acelerar a divisão celular no câncer de mama.
Segundo as autores da pesquisa, Yingyi Zhang e Qianying Lu, a resistência não significa que o tratamento deixa de funcionar completamente. “Mesmo células consideradas resistentes continuam respondendo parcialmente aos inibidores de CDK4/6, crescendo de forma mais lenta”, afirmam as pesquisadoras.
As cientistas observaram linhagens celulares de câncer de mama hormônio-dependente e triplo-negativo, expostas continuamente aos medicamentos por mais de um mês. As células que permaneceram sob tratamento apresentaram crescimento significativamente mais lento do que aquelas em que o uso dos remédios foi interrompido. Além disso, o ciclo de divisão celular foi desacelerado, mantendo as células por mais tempo na chamada fase G1, etapa que antecede a duplicação do DNA.
Outro dado relevante do estudo mostra que a associação com inibidores da enzima CDK2 reforçou ainda mais o bloqueio da multiplicação celular. Para as cientistas, “combinar diferentes medicamentos que atuam no ciclo celular pode ser mais eficaz do que focar em um único alvo”, estratégia que pode abrir novos caminhos para o tratamento da doença.
Apesar dos resultados promissores, as pesquisadoras alertam que a estratégia ainda precisa ser testada em pacientes. Estatísticas globais indicam que o câncer continua sendo um problema de saúde pública: em 2020, por exemplo, foram registrados mais de 2,3 milhões de novos casos de câncer de mama no mundo, segundo dados citados no estudo.

“Identificar quais pacientes realmente se beneficiariam dessa abordagem é essencial”, ressaltam Zhang e Lu, destacando a necessidade de novos estudos clínicos e do desenvolvimento de biomarcadores mais precisos.
Os resultados reforçam a importância de estratégias que, mesmo sem eliminar totalmente o tumor, consigam retardar sua progressão, oferecendo mais tempo e qualidade de vida às pacientes.
Mais informações: Yingyi Zhang (yingyi_zhang@tju.edu.cn) e Qianying Lu (qianying.lu@tju.edu.cn) Escola de Medicina de Desastres e Emergências da Universidade de Tianjin, em Tianjin, China, e no Laboratório Principal de Tecnologia em Medicina de Desastres de Tianjin, China.